estiveste sempre presente em tudo. no meu primeiro passo como pessoa, quando tomei a minha primeira decisão, e quando comecei a tornar-me uma pessoa melhor. mas quando as coisas começaram a complicar-se, começaste a afastar-te, a ausentar-te, e a mudar de actitude. ao início pensei que fosse uma fase, e que iria ser passageiro, mas essa fase, foi tornando-se cada vez maior, sentia-me cada vez mais sozinha no mundo, sem força para continuar. até que um dia, combinamos ir sair, e tu apareceste, mas por pouco tempo. quando chegaste deste-me um beijo na testa, um beijo sentido, um beijo com força, um beijo daqueles que nunca me tinhas dado e disseste ' já estás crescida, já não precisas da minha ajuda ' deste-me o teu fio, e partiste, não sei para onde. não tirei o teu fio nunca, nem nunca te esqueci, pensava em ti todos os dias e chorava à noite bem baixinho, para ninguém ouvir.
para não me magoar, agarrei-me à minha esperança de que tu um dia irias voltar, nem que fosse só um minuto eu tinha de falar contigo, precisava de te ver independentemente de que maneira fosse.
houve um dia que recebi um telefonema, em privado, e eu atendi, eu falei mas ninguém respondeu, e eu acreditei que eras tu, que querias ouvir a minha voz. e durante uma semana seguiram-se os telefonemas, mais do que uma vez por dia, mas nunca, ninguém falava.
e num outro dia, cheguei a casa e tinha um ramo de flores em cima da cama, procurei automáticamente, o cartão das flores, e lá estava ele ao lado das rosas brancas, um cartão escrito com uma letra desajeitada, era a tua. o cartão dizia ' penso todos os dias em ti, tenho estado ausente da tua vida, eu sei. mas tu estás sempre presente na minha. vejo-te todos os dias, apesar de tu não me veres. amo-te muito, nunca te esquecas disso. és a única coisa que me agarra à vida '.
recebi muitas mais flores, com cartões a explicarem a razão pela qual ele se ausentara.
depois de vários meses a receber flores e cartões, chegou um postal, com um número de uma porta e o nome de uma rua de Braga. no dia seguinte assim que acordei bem cedo, fiz-me à estrada, quando cheguei a Braga ao número 320 de um bairro qualquer, entrei pois a porta estava aberta, quando entrei. encontrei-te num estado lastimável, numa cadeira de rodas, sem qualquer força para mexer um músculo que fosse, agarrei-me a ti, e deite um abraço com muita força que parecia que a qualquer momento te ia esmagar com a minha força.
levantas-te a mão e meteste-me na cara e disseste as tuas últimas palavras, disseste com uma emoção estondiante que me fizeste chorar. depois disso, soltas-te um último suspiro, e foste-te.
foi a última vez que te ouvi falar, ficaste ali sentado onde estavas rígido como uma pedra, e frio como gelo. foi a última vez, mas foi uma última vez sentida e vidada verdadeiramente segundo a segundo.
ao teu lado estava um ramo de flores brancas, com um cartão que dizia. ' obrigada por tudo, e por nunca teres deixado de acreditar em mim, apesar de tudo o que te diziam de mal sobre mim. peço desculpa, por me veres uma última vez neste estado, mas assim, eu tinha acerteza que não me irias julgar. DESCULPA, a sério. '
